Evelyn está lá?
Levantei o olhar. Os lábios dela se apertaram com mais força.
“A ajuda já está a caminho”, disse Grant.
Meu coração deu um salto. “Como—”
— Eu liguei — disse ele. — Na verdade, duas vezes.
As bochechas de Cole ficaram vermelhas. “Você chamou a polícia?”
— Liguei para os serviços de emergência — corrigiu Grant suavemente. — E liguei para as pessoas cujo trabalho é responder caso alguém decida trancar minha filha na cozinha.
Cole saltou na minha direção, com a mão estendida. “Me dá isso—”
Evelyn agarrou o braço dele, empalidecendo subitamente. “Não faça isso”, ela sibilou. “Cole… não faça isso.”
Ele recuou abruptamente. “Mãe, cuide da sua própria vida.”
A voz de Grant permaneceu calma, mas soava firme como uma rocha. “Cole, afaste-se da Hannah. Abra a porta da frente. Coloque seu telefone no balcão da cozinha.”
Cole deu uma risada forçada. “Ou o quê?”
Grant respondeu como se estivesse prevendo o tempo para amanhã: “Ou você descobrirá por que os juízes permanecem em silêncio quando meu nome é mencionado.”
Evelyn levou a mão à boca. “Grant Mercer”, sussurrou, e sua voz soou como um medo antigo.
Uma sirene soou lá fora.
E depois mais uma.
Mais perto.
As luzes vermelhas e azuis começaram a piscar pela janela da cozinha, banhando o rosto de Evelyn em cores alternadas – cada flash a fazia parecer menor e mais insegura.
Parte 3 — Consequências em Vermelho e Azul
Houve uma forte batida na porta da frente — três golpes que soaram como definitivos.
“Polícia!”, gritou uma voz. “Abra a porta!”
Cole não se mexeu.
Houve outra batida, mais forte desta vez. “Senhor, abra a porta agora.”
Evelyn agarrou a manga de Cole com dedos trêmulos. “Faça isso”, ela sussurrou. “Simplesmente faça isso.”
Ele puxou o braço com força, soltando-o. “Não aja como se eles pudessem fazer o que quisessem.”
A voz de Grant continuou a ecoar pelo alto-falante sem ser interrompida. “Eles podem fazer o suficiente. Principalmente se o vizinho do outro lado da rua já tiver enviado o áudio para a rede compartilhada do prédio.”
Cole virou abruptamente a cabeça em direção à janela. “O quê?”