A maçaneta da porta tremeu. A voz do lado de fora soou mais aguda. “Senhor, se o senhor não abrir a porta, nós entraremos.”
Cole entrou furioso no corredor e abriu a porta com um puxão.
O ar frio da noite invadiu o local, seguido por dois policiais e uma equipe de ambulância com uma maca. Atrás deles, entrou um homem de casaco escuro, ereto, com um semblante sereno e olhos como pedra polida.
Grant Mercer.
Sem ostentação. Sem teatralidade. Apenas poder que não precisava provar nada a ninguém.
Um policial perguntou cautelosamente: “Senhor, o senhor é Grant Mercer?”
Grant assentiu brevemente com a cabeça. “Sim. Estou aqui pela minha filha.”
Os paramédicos passaram por Cole sem esperar que ele permitisse. Um deles se ajoelhou ao meu lado e disse em voz baixa: “Olá, meu nome é Dani. Você poderia me dizer seu nome?”
‘Hannah’, sussurrei, tremendo.
‘Nós te pegamos’, disse ela. ‘Continue olhando para mim.’
Cole os seguiu furioso até a cozinha. “Essa é a minha esposa—”
Grant entrou pela porta atrás dele.
Ele não gritou. Ele não tocou em Cole. Ele apenas falou, e os presentes obedeceram.
Você não vai mais pronunciar ‘minha esposa’ dessa forma.
Cole se virou. “Quem você pensa que é?”
Evelyn estava de pé, nervosa, ao lado da mesa. O olhar de Grant voltou-se para ela.
“Evelyn.”
Ela se encolheu com a maneira como ele disse isso – de forma seca, precisa, como se estivesse rotulando uma prova.
— Nós não sabíamos — ela conseguiu dizer, com a voz embargada. — Nós não sabíamos que eles—
“Minha filha”, decidiu Grant.
Cole tentou rir, mas não conseguiu. “E daí? Você é uma pessoa importante—”
“Não estou aqui para te assustar”, disse Grant.
Ele deu um pequeno passo à frente, tão calmo quanto um bisturi. “Estou aqui para pôr fim à parte da sua vida em que você acreditava que poderia fazer isso e ainda ser você mesmo amanhã.”