Os colegas da minha filha fizeram o baile de formatura no quarto do hospital porque ela não pôde ir por causa da doença – então um deles me entregou um envelope e disse: ‘Aqui está o verdadeiro motivo de estarmos aqui’.

“Tudo bem, mãe”, disse ela com um sorriso cansado. “Coisas de menina.”

Um instante depois, o celular dela vibrou. O nome de Daryl apareceu na tela antes que ela o virasse. Daryl era seu melhor amigo desde o ensino fundamental, o tipo de garoto que se lembrava dos aniversários e sempre se preocupava com ela. “Ele está mandando mensagem de novo?”, perguntei. Carol deu um leve sorriso. “Ele só está sendo o Daryl de sempre.” Apertei o pé dela por cima do cobertor. “Ele é um bom garoto.”

Seus olhos se voltaram para a janela. Faltavam apenas quatro dias para o baile de formatura.

“Mãe?”

“Sim, bebê?”

Você acha que eu vou conseguir ir?

Aquela pergunta quebrou algo dentro de mim. Eu queria dizer a verdade para ela — que eu não sabia. Em vez disso, forcei um sorriso e disse: “Você vai ao baile de formatura de um jeito ou de outro”. Carol me observou por um longo momento, depois assentiu e estendeu a mão para mim.

Dois dias depois, outra sessão de quimioterapia piorou ainda mais o estado dela. Levei-a de volta ao hospital enquanto ela descansava em silêncio encostada na janela. Ela ficou internada por uma noite, depois outra, e então por tempo indeterminado. Certa noite, ela sussurrou: “Mãe, e se eu não sobreviver?”. Acariciei sua cabeça e lutei contra as lágrimas. “Você vai a muitos bailes de formatura, querida. Isso é só um adiamento.” Ela se virou para a parede e não disse nada.

Na noite seguinte, eu estava enxaguando o copo d’água dela quando a enfermeira Jenny apareceu na porta.

“Linda, você pode ir até o corredor um minutinho?” Meu estômago deu um nó, mas quando saí, paralisei. O corredor estava cheio de adolescentes. Garotos de terno alugado, garotas de vestido, caixas de pizza, balões, bebidas e uma pequena caixa de som pendurada no pulso de Daryl.

Megan, uma das colegas de classe de Carol, deu um passo à frente. “Sra. Linda, conversamos com a Dra. Patel. Ela disse que tudo bem. Queríamos levar o baile de formatura para a Carol.” Tapei a boca, sem conseguir falar. “Vocês fizeram tudo isso?” Daryl assentiu. “Estamos planejando há semanas.”

Eles entraram no quarto de Carol, e quando ela os viu com suas roupas de baile, soltou um som que jamais esquecerei — meio riso, meio soluço. “Vocês…” Megan a ajudou a vestir uma blusa brilhante por cima da bata do hospital. Alguém ligou a música e, pela primeira vez em meses, minha filha riu de verdade. Os jovens comeram pizza fria, dançaram, brincaram uns com os outros e, por um instante, Carol não era uma paciente. Ela era apenas uma garota no baile de formatura.