Meu filho deu seu guarda-chuva para uma grávida desconhecida na chuva – na manhã seguinte, 47 guarda-chuvas apareceram no nosso gramado, cada um com uma caixa numerada que me deixou sem fôlego.

“Você acha que ela vai trazer de volta?”, perguntou ele. “Eu disse a ela onde moramos.”

“Não sei, querida. Mas talvez ela nos surpreenda.”

“Talvez”, disse ele em voz baixa.

Naquela noite, depois que Eli adormeceu, toquei no gancho vazio ao lado da porta. Ali estavam as chaves de Darren, seu chapéu, seu casaco e, depois que ele faleceu, o guarda-chuva de Eli.

“Eu sei que você teria orgulho dele”, sussurrei. “Mas mesmo assim eu queria que aquele guarda-chuva voltasse para casa.”

Três manhãs depois, abri a porta da frente para pegar o jornal e deixei cair minha caneca de café. Ela se estilhaçou na varanda.

O café quente espirrou no meu tornozelo, mas eu mal percebi.

Tudo o que eu conseguia ver era meu quintal, cheio de guarda-chuvas abertos.

Quarenta e sete deles.

Estavam dispostas em fileiras organizadas, desde a caixa de correio até o bordo. Debaixo de cada guarda-chuva havia uma pequena caixa branca com um número pintado na tampa.

Numerados de 1 a 47.

“Mãe?” Eli chamou atrás de mim.

Ele desceu na varanda descalço, com os cabelos espetados para todos os lados.

“Cuidado!” avisei. “Deixei cair minha caneca. Não pise no vidro.”

“O que é isto?”, perguntou ele.

“Por que a Sra. Sarah está nos filmando, mãe?”

Isso me despertou completamente.

Vários vizinhos estavam reunidos perto da calçada, muitos deles segurando seus celulares.

“Sarah!” gritei. “Desliga o telefone! Você sabe que eu não gosto que o Eli seja filmado.”

Ela só abaixou até a metade. “Carina, está lindo! Você não viu no Facebook?”

Meu estômago revirou. “O que tem no Facebook?”