Sentei-me à mesa da cozinha. Leo permaneceu de pé por mais um segundo antes de se sentar na cadeira à minha frente.
Alguns dias antes, eu o tinha visto se formar com beca e capelo azul-marinho enquanto eu chorava tanto que o envergonhava.
Na minha formatura, atravessei o campo de futebol segurando meu diploma em uma mão e o pequeno Leo no colo. Minha mãe, Lucy, chorou abertamente. Meu pai, Ted, parecia que queria caçar alguém.
Sim, a formatura do Leo abriu uma brecha dentro de mim.
Ele havia se tornado um jovem maravilhoso — inteligente, gentil, engraçado exatamente quando eu precisava. O tipo de filho que percebia quando eu estava exausta e lavava a louça silenciosamente antes mesmo que eu pudesse pedir.
Ultimamente, porém, ele havia começado a fazer mais perguntas sobre Andrew.
Eu sempre lhe disse a verdade, da forma como a entendia. Engravidei aos dezessete anos, enquanto Andrew e eu estávamos envolvidos no nosso primeiro amor. Quando lhe contei, ele sorriu nervoso e prometeu que descobriríamos juntos.
No dia seguinte, ele desapareceu. Nunca mais voltou para a escola. Quando corri para a casa dele naquela tarde, já havia uma placa de “VENDE-SE” no jardim, e a família tinha ido embora.
Essa foi a história que carreguei por dezoito anos.
Leo então olhou fixamente para a mesa da cozinha. “Preciso que você não… fique bravo comigo.”
“Querida, não vou concordar com isso até saber o que aconteceu.”
Ele engoliu em seco. “Fiz um daqueles testes de DNA.”
Por um segundo, fiquei apenas olhando para ele.
“Você fez o quê?”
“Eu sei.” As palavras saíram atropeladas. “Eu devia ter te contado. Eu só… queria encontrá-lo. Ou alguém ligado a ele. Talvez uma tia ou um primo. Qualquer pessoa que pudesse explicar por que ele foi embora.”
A dor me atingiu instantaneamente — não porque meu filho quisesse respostas, mas porque ele as merecia, e ele havia saído em busca delas sozinho.
“Leo”, eu disse baixinho.
“Eu não estava tentando te machucar.”
Esfreguei a ponta do pano de prato entre os dedos. “Você o encontrou?”
Sua voz baixou. “Não, mãe.”
Assenti com a cabeça uma vez, fingindo que aquilo não me atingiu em cheio nas costelas.
“Mas eu encontrei a irmã dele.”
Levantei o olhar bruscamente. “O quê dele?”
“A irmã dele. O nome dela é Gwen.”
Soltei uma risada curta e incrédula. “O Andrew não tinha irmã, querida.”
“Mãe.”
“Não, quer dizer… bem, é complicado.”
Leo franziu a testa. “Você sabia sobre ela?”
“Eu sabia que ele tinha uma irmã”, expliquei. “Mas nunca a conheci. Às vezes me perguntava se ela sequer existia. Ela era mais velha e já estava na faculdade, eu acho. Andrew disse que os pais dele agiam como se ela mal existisse.”
“Por que?”