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Sete anos se passaram dessa maneira.
No sábado passado, enchi uma cesta com tomates e abobrinhas da minha horta e dirigi até a casa do Daniel enquanto ele estava trabalhando. Eu tinha uma chave reserva que ele havia me dado.
Eu não fazia ideia de que estava prestes a pôr fim à vida que pensava estar levando.
Sete anos se passaram dessa maneira.
A cesta de legumes frescos estava mais pesada do que eu esperava quando empurrei a porta lateral do Daniel com o quadril.
A casa estava vazia e silenciosa; sua caminhonete havia partido às 7 horas da manhã.
Acabei ligando por hábito.
“Então? Esse sou eu.”
Sem resposta.
A geladeira da cozinha estava completamente cheia.
Então fui até a garagem para colocar os legumes na bancada dele, porque lá estava fresco e agradável.
Acabei ligando.
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A garagem cheirava a óleo de motor.
Caminhei até a bancada e esbarrei com o ombro no colete salva-vidas pendurado perto da porta. Ele balançava no gancho, aquela coisa laranja horrível que ele nunca tinha tirado. Eu estava prestes a desviar o olhar, como sempre fazia, mas algo caiu no chão.
Coloquei a cesta na bancada.
Era um pequeno pacote, embrulhado em um pano azul velho.
Meu ombro tocou o colete salva-vidas.
Minhas mãos começaram a tremer mesmo antes de eu tocá-lo.
Sentei-me na bancada e desempacotei tudo lentamente.
Dentro havia uma pilha de cartões-postais presos por um elástico, um pequeno telefone preto que eu nunca tinha visto antes e uma foto.
A foto era de tirar o fôlego!
Dentro havia uma pilha de cartões-postais.
Era Maya. Uma menina um pouco mais velha, de 14 ou talvez 15 anos. Ela estava parada em frente a uma pequena casa amarela que eu não reconheci, com uma das mãos na cabeça de um cachorro grande e marrom.
Minha neta riu!
Com os dedos dormentes, folheei os cartões-postais. A caligrafia no mais antigo era elegante e infantil.
As mais recentes foram escritas em itálico e tinham um aspecto mais maduro. Todas estavam assinadas com um pequeno coração vermelho.
Minha neta riu!
Li a primeira parte duas vezes.
Por favor, avise a vovó logo. Estou pronto.
Caí de joelhos no chão da garagem e gritei!
Sete anos! Sete anos de velas no seu bolo de aniversário. Sete anos de uma mentira que engoli sem pestanejar.
Então liguei para o 112.
Eu caí de joelhos.
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