Minha neta nunca voltou de um passeio de caiaque com o tio. Sete anos depois, encontrei algo em seu antigo colete salva-vidas que me levou a ligar para o 112.

Sinto muito, mãe.

Olhei para o policial Ruiz e depois para meu filho.

“Preciso de um tempo antes de poder olhar para você novamente. Mas primeiro preciso da Maya. Leve-a para casa.”

***

Uma semana depois, ouvi a porta de um carro fechar lá fora.

Naquela manhã eu já tinha ido ao sótão e trazido a caixa, com o coelho de pelúcia em cima, uma das orelhas do qual estava completamente desgastada depois de dez anos nas mãos de crianças.

Olhei para o policial Ruiz e depois para meu filho.

Abri a porta da frente e lá estava ela.

Mais velha. Dezoito anos. De mãos vazias e com um olhar hesitante, enquanto alegria e tristeza disputavam espaço em seu rosto.