“Fique com a mansão”, riu a bilionária ao comemorar a vitória no divórcio — até que seu pai, todo sujo de graxa, entrou no tribunal e fez uma pergunta ao juiz.

Everett deu uma risadinha. “Algum lugar com serviço de drive-thru, imagino?”

Ray se virou na porta do tribunal. “Não, Everett. Em algum lugar com ficha limpa.”

Everett não entendeu a frase e, por não a ter entendido, a ignorou.

Esse sempre fora o seu dom fatal.

Ele podia descartar qualquer coisa que não o lisonjeasse.

Às oito horas daquela noite, Everett estava no salão da cobertura do Hotel Adolphus, erguendo um copo de uísque escocês de cinquenta anos enquanto Dallas brilhava abaixo dele. A cidade parecia comprada daquela altura. Luzes se estendiam em direção ao horizonte, cada uma delas uma prova de que o mundo pertencia a homens que tomavam o que queriam e chamavam isso de ambição.

“Para Everett Drake!”, gritou Roland Pierce, seu advogado de divórcio e companheiro de copo de longa data. “Um homem que entrou no tribunal de família e saiu com a casa, o dinheiro e a superioridade moral.”

Todos na sala riram.

Blair Marston riu mais alto. Ela estava linda em um vestido prateado, com clavículas proeminentes e instintos ainda mais aguçados. Ela havia sido assistente de Everett por dois anos, depois sua confidente, depois sua amante, e então a mulher que ele pretendia tornar visível assim que Nora fosse legalmente apagada de sua memória.

Everett deixou Blair se aconchegar debaixo de seu braço.

“Por favor”, disse ele, erguendo o copo. “Não me insulte chamando aquilo de briga. Não foi um processo judicial. Foi eutanásia.”

Mais uma rodada de risos.